Osvaldo: “Ronaldo chega a casa e faz 150 abdominais, eu acendo o lume para o churrasco”

Osvaldo: “Ronaldo chega a casa e faz 150 abdominais, eu acendo o lume para o churrasco”

Daniel Osvaldo, avançado argentino – também tem nacionalidade italiana e foi internacional pelos ‘azzurri’ – , hoje com 32 anos. Lembra-se dele? Jogou no FC Porto, na Fiorentina, na Roma, no Inter, na Juventus, no Espanyol, entre muitos outros. Mas deixou o futebol para se dedicar à paixão da sua vida: a música. Tinha 30 anos e não se arrepende, estava farto. Não do jogo em si, mas daquilo que o rodeia. Tem uma banda chamada ‘Barro Viejo’, passou o verão a tocar em bares em Barcelona, bebe uns copos e fuma. “Não sou muito amigo do dia”, conta, bem humorado, ao jornal espanhol ‘Marca’. “Fumo muito. Há dias fui jogar futebol com uns amigos e dói-me tudo.” Osvaldo podia ainda estar a jogar futebol, aos 32 anos está longe de ser um veterano, mas agora diz-se mais “tranquilo”. “O futebol fazia-me feliz mas o que o rodeia não. Sempre pensei ter uma banda de rock e quando comecei no futebol não sabia que carreira ia ter. Enquanto jogava escrevia letras, e era o que mais gostava. Depois, comecei a tocar guitarra e a compor”, refere Osvaldo, adepto confesso do Boca Juniors. Um dos temas que compôs chama-se ‘Insatisfação’, a mesma por que deixou os relvados. “Estava cada vez mais agoniado. Hoje não renego em absoluto o futebol, mas fui com 19 anos para a Europa e quando cheguei à Argentina, senti um rude golpe. Toda a gente opina e quer viver a tua vida… Senti uma libertação quando tomei esta decisão. Estava decidido, mas ao mesmo tempo tinha medo, medo de me arrepender, de não ser bem-sucedido… Tenho amigos que vêm vídeos meus a jogar e que não compreendem por que deixei o futebol. Apoiam-me mas não entendem. Explico-lhes que posso ser feliz a fazer outra coisa, mesmo que não ganhe dinheiro com isso. Às vezes perco dinheiro. O meu sonho é tocar com os ‘Barrio Viejo’ até morrer, não me importa que seja para 10 ou 100 mil pessoas. A primeira vez que vi um miúdo cantar uma música minha no público ganhei um título. Emocionei-me…” Gostava Osvaldo de ser Messi? A resposta é surpreendente: “Não. Mas gostaria de jogar como ele. Coitadinho, ele não tem vida, vive numa prisão de ouro. Não podia estar aqui connosco a beber um copo e isso para mim é importante. Os jogadores desse nível nem em sua casa estão. Compram o televisor maior do mundo, mas nem à sala vão. Para que querem um Ferrari se estão a 15 minutos do centro de treinos? Nunca me importei com dinheiro, mas também gastei em parvoíces. Agora também gasto, mas em parvoíces mais baratas…” Osvaldo garante por outro lado que Messi muito provavelmente também não gostaria de ter a sua vida de músico. “Não acredito.. A última vez que o vi ofereci-lhe um disco meu. Não é um amigo próximo, mas é uma daquelas pessoas agradáveis que te transmitem boa energia. Perguntou-me o que me deu para ir para a música. Acho que não me entendeu, deve ter pensado que sou louco. Eu no lugar dele não deixaria o futebol, ele é o melhor do mundo, o seu talento é natural.” RELACIONADAS FutebolVÍDEO Cristiano Ronaldo volta a ser decisivo na Liga italiana FutebolFOTOGALERIA ‘Marca’ revela que Cristiano Ronaldo não vai ao The Best O antigo jogador adianta que no seu caso teve de trabalhar muito para se tornar futebolista. “Treinei muito. Sempre me chateou que, pelo facto de gostar de música, dissessem que não gostava de treinar. ‘Garantidamente embebeda-se e consome drogas’, diziam. Mas não tem nada a ver. Treinei muito e melhor que os outros, caso contrário não teria estado 10 anos na Europa e na seleção italiana. Mas nunca quis ser o melhor do Mundo, alguns viviam o futebol a 100 por cento, mas eu não. E isso gerou alguns conflitos com pessoas que exigiam mais de mim. O Cristiano Ronaldo não nasceu com o talento de Messi. É uma máquina, é mais esforço que talento, mas tem o mesmo valor. O Cristiano gosta de chegar a casa e fazer 150 abdominais; eu gosto de acender o lume para fazer um churrasco.” Osvaldo não renega a carreira que fez no futebol, longe disso. “O futebol deu-me a possibilidade de ajudar a minha família. De cumprir o sonho que tinha de poder dizer ao meu pai que não trabalhasse mais. Permitiu-me viajar, conhecer o mundo, mudar a cabeça e a vida. Mas tirou-me a liberdade. E a minha liberdade não tem preço nem é negociável.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Segue-nos no Facebook