SL Benfica

O ‘pestinha magricelas’ que trocou o GPS e virou menino de ouro da Luz

Viagem à carreira do camisola 79 encarnado

Começou no Pestinhas, de Tondela, e fez grande parte da formação no FC Porto, numa altura em que os pais do pequeno João tinham de fazer qualquer coisa como mil quilómetros por semana, entre Viseu e a Invicta, para que o miúdo pudesse treinar e jogar de dragão ao peito.

João sempre foi muito apegado à família, sobretudo à mãe Carla, a quem um dia, quando já ficava no Porto, chegou a ligar em lágrimas para que o fosse buscar ao Porto, pois não aguentava as saudades da família.

Filho de professores, desde criança que Félix estudava a lição do futebol e a bola foi sempre a fiel amiga.

“Só pensas em futebol”, diziam-lhe os amigos, ao qual sempre respondia, até nas redes sociais, onde se fartava de colocar imagens de bolas. “É o que eu gosto”.

E de tanto gostar que a relação foi ficando séria, a tal ponto que o caminho foi sendo trilhado e o sonho cada vez mais perto.

Nem sempre fácil, nem sempre simples, a estrada do sucesso nunca foi uma ‘via rápida’. Antes mesmo de ficar a morar na ‘Casa do Dragão’, perto das Antas, por exemplo, João Félix tinha de fazer a viagem entre Viseu e a Invicta várias vezes por semana, obrigando a família, e o próprio João, a uma ginástica de horários. Fez tantas vezes a viagem que Félix já tinha uma espécie de GPS na cabeça.

“Ao fim de seis anos, fazia aquela viagem tantas vezes que tinha todas as voltas, colisões e semáforos memorizados”, contou o camisola 79 do Benfica, em entrevista ao norte-americano The Players Tribune.

A técnica de Félix nunca esteve em questão, de tal modo que chegou a integrar um projeto especial para jogadores de elite. Mas João, nas palavras do próprio, quis sair do FC Porto para um outro local onde pudesse ser feliz e mudou, então, as cordenadas do GPS no seu caminho.

“Não fui dispensado, foi uma decisão minha”, confirmou Félix, em entrevista à revista Visão, onde falou do facto de, na altura, ser apelidado de ‘magricelas’, numa fase onde ainda passou pelos matosinhenses do Padroense e pela Dragon Force.

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A rota acabaria por mudar mas a meta era a mesma – ser profissional de futebol. Deu-se, então, a chegada ao Benfica, com 15 anos. Na Luz, na conta do peso e da medida esperou-se sempre que o resultado fosse o sucesso dada a técnica que Félix evidenciava desde novo.

Além disso, a mudança de Viseu, a sua terra Natal, para Lisboa acabou por não ser tão problemática como de Viseu para o Porto, até porque já era um adolescente, de 15 anos, e já tinha a experiência de morar fora de casa.

O caminho foi sendo feito e Félix – um incondicional fã de Kaká e de Neymar – foi surpreendendo tudo e todos, enquanto o Benfica o ajudava a potenciar o talento que, em boa verdade, cedo lhe anteciparam.

Mas o futebol faz-se de muitas variáveis, de muitos sonhos e de ambição. A de Félix passou sempre por ser jogador da bola, sem nunca perder o foco.

“É importante ter os pés assentes na terra. Tenho uma família que me lembra sempre disso. Quanto mais subimos, maior o tombo”, revelou Félix, em dezembro de 2017, à BTV, quando renovou até 2023.

Chegou com idade juvenil à Luz para cumprir uma derradeira etapa da sua formação enquanto futebolista e movido pela paixão do futebol, aquela que tem desde menino e que lhe chegou através do pai, Carlos Sequeira, um ex-jogador das divisões distritais de Viseu.

A bola, essa, foi sempre companheira e confidente de João e do irmão Hugo (que também está nas camadas jovens do Benfica). A bola, sempre a bola nos pés e na cabeça, fosse na cozinha ou pela sala, fintando os corredores onde os tapetes tantas vezes atrapalhavam.

Nascido a 10 de novembro de 1999, nos tempos livres, João Félix gosta de jantar com a família e amigos e, quando não dá para umas idas à praia, gosta de descontrair a jogar FIFA e Fortnite.

Viciado em fazer coleções de cadernetas de cromos, Félix é já tido como a estrela do Benfica e ‘só’ tem 19 anos.

Fonte: Bancada.pt